sexta-feira, 30 de janeiro de 2009

Escrita de sí, movimento para dentro, cartas.

A ESCRITA FEMININA NO SÉCULO XIX: AS CARTAS DE FLORA DE OLIVEIRA LIMA E EUFRÁSIA TEIXEIRA LEITE

"O escrever cartas, exercício realizado na esfera íntima, é um dos poucos meios de expressão permitido às mulheres do século XIX, circunscritas ao espaço doméstico e impedidas de se pronunciar publicamente."

Busca Boca

Poema à boca fechada
José Saramago

Não direi:
Que o silêncio me sufoca e amordaça.
Calado estou, calado ficarei,
Pois que a língua que falo é de outra raça.

Palavras consumidas se acumulam,
Se represam, cisterna de águas mortas,
Ácidas mágoas em limos transformadas,
Vaza de fundo em que há raízes tortas.

Não direi:
Que nem sequer o esforço de as dizer merecem,
Palavras que não digam quanto sei
Neste retiro em que me não conhecem.

Nem só lodos se arrastam, nem só lamas,
Nem só animais bóiam, mortos, medos,
Túrgidos frutos em cachos se entrelaçam
No negro poço de onde sobem dedos.

Só direi,
Crispadamente recolhido e mudo,
Que quem se cala quando me calei
Não poderá morrer sem dizer tudo.

Busca Boca

Mimosa boca errante
Carlos Drummond de Andrade

Mimosa boca errante
à superfície até achar o ponto
em que te apraz colher o fruto em fogo
que não será comido mas fruído
até se lhe esgotar o sumo cálido
e ele deixar-te, ou o deixares, flácido,
mas rorejando a baba de delícias
que fruto e boca se permitem, dádiva.

Boca mimosa e sábia,
impaciente de sugar e clausurar
inteiro, em ti, o talo rígido
mas varado de gozo ao confinar-se
no limitado espaço que ofereces
a seu volume e jato apaixonados
como podes tornar-te, assim aberta,
recurvo céu infindo e sepultura?

Mimosa boca e santa,
que devagar vais desfolhando a líquida
espuma do prazer em rito mudo,
lenta-lambente-lambilusamente
ligada à forma ereta qual se fossem
a boca o próprio fruto, e o fruto a boca,
oh chega, chega, chega de beber-me,
de matar-me, e, na morte, de viver-me.

Já sei a eternidade: é puro orgasmo.

Mix Freud século XXI - Entrando na Boca , explorando suas zonas de fronteiras, adentrando a laringe.

há uma inter-relação entre estas sensações, o que torna possível a formação dos sintomas,
e explica que a repugnância advém do recalcamento da excitação produzida pela zona erógena da boca,
Dora havia sido uma chupadora de dedo contumaz tendo
relatado a seguinte cena: “sentada num canto do assoalho, chupava o polegar esquerdo,
enquanto com a mão direita puxava o lóbulo da orelha do irmão, sentado quieto a seu
lado”. Esta cena nos aponta para uma satisfação pulsional que estaria na base dos
sintomas de Dora: tosse, afonia, repugnância, dispnéia...
A mucosa dos lábios e da boca se constituiu na infância como uma zona erógena primária criando aí uma complacência que possibilitou a instalação de seus sintomas. Para Freud o chupar o dedo tem como origem a amamentação e como conseqüência a fantasia de chupar o pênis.
ambos os casos a mucosa oral era privilegiada como zona erógena.
A articulação entre o corpo erógeno e a pulsão também é esclarecida. O corpo
todo funciona como uma zona erógena e não apenas algumas partes dele. O que dá
unidade ao corpo é o seu transpassamento pelo significante
. Assim, o inconsciente como simbólico inclui o corpo naquilo que ele tem de estrutura de borda, ou seja, no abre e fecha pulsional. Inconsciente e corpo são homólogos porque “há uma comunidade de estrutura entre o inconsciente simbólico e o funcionamento da pulsão”

mordedura - fase sádico-oral concomitante à dentição, quando a incorporação adquire o significado de destruição do objeto devido à ambivalência instintual, ou seja, a coexistência de libido e agressividade, em relação ao mesmo objeto. Mastigar, morder e cuspir são expressões dessa necessidade agressiva inicial, a qual mais tarde pode desempenhar papel relevante nas depressões, adições e perversões.

Entrando dentro da boca, e explorando suas extremidades

Diria Clarice Lispector:

“Isso fala”. Linguagem antilógica do neutro que fala o que não pode ser dito. É preciso descer ao nível da barata , esse exemplar mítico; para isso, é preciso operar o sacrifício da
linguagem humana, essa construção “ilusória” e “profana”. “Isso que fala” lateja, incessantemente, no inferno do mundo, e G. H. quer vivêlo.
Ela quer captálo nos interstícios inefáveis da atualidade, descontinuando a esperança, a promessa e o futuro, ao se voltar para o passado mais remoto de si mesma. Em busca da identidade originária, captada no mais breve instante deste inefável que é a matéria viva da qual se vive. G. H. esmaga a barata pelo meio. Agora é preciso comêla. É preciso colocar na boca a massa branca da barata. (67)¹ Ela quer comungar a matéria viva, nessa realidade transcendente da comunhão. Porque “a humanização impede a humanidade”; “a beleza impede a identidade”. No mundo não há nenhum plano estético nele, intui ela. (162)¹ Comer a matéria viva expulsálaia do “paraíso de adornos” em que vivia. (76)¹ A beleza é um “engodo suave”, um modo como ela enfeitava a coisa para poder “tolerarlhe o núcleo”, entendia. (161)¹ Será preciso descer a máscara, a beleza expressivamente exterior. Será preciso ouvir a linguagem do silêncio, para deixar falar “Aquilo de que se vive – e por não ter nome só a mudez pronuncia”. (178)¹ É preciso ouvir o silêncio gerando sua própria linguagem. “Um silêncio extremamente ocupado” (105)¹. “O perigo de meditar”, diz ela, “é o de sem querer começar a pensar, e pensar já não é meditar, pensar guia o objetivo. “ “Um murmúrio neutro”. O silêncio destece o que a linguagem humana tece. “o que parece faltade sentido – é o sentido.”

quinta-feira, 29 de janeiro de 2009

referencias visuais.

...

referências visuais.


Claire Harvey, Post Its, 2003-4
oil on post-its, dimensions variable/
olieverf op post-it, afmetingen variabelcourtesy the artist

quarta-feira, 28 de janeiro de 2009

Sobre módulos e padrões

Um artigo, porque somos viciados nas letras e nas palavras.

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terça-feira, 27 de janeiro de 2009

CAROLEE SCHNEEMANN

"Carolee Schneemann, multidisciplinary artist. Transformed the definition of art, especially discourse on the body, sexuality, and gender. The history of her work is characterized by research into archaic visual traditions, pleasure wrested from suppressive taboos, the body of the artist in dynamic relationship with the social body."


Hand/ Heart for Ana Mendieta 1986
Center Panels: Chromaprints of 1986 physical actions- paint with blood, ashes, syrup in snow with hand tracing.Side panels with: acrylic paint, chalk, ashes on paper.
Total size: 154" x 57" composed of 12 triptychs each 12" x 57".
An homage created for the artist Ana Mendieta, at the time of her death.

Persepolis - Eye of the Tiger

segunda-feira, 26 de janeiro de 2009

Performance de Luana Aguiar











“A falta de ar é uma ocorrência normal após uma atividade extenuante, um momento de excitação, ou por causa de narinas obstruídas, e não representa motivo de preocupação. Entretanto, um episódio de falta de ar inexplicado pode ser um sinal de falta significativa de oxigênio, e deverá ser considerado seriamente.”
Uma fala médica




Deverá ser considerado seriamente. Uma pequena escrivaninha no meio da sala de uma exposição, as pessoas se reúnem para ver o acontecimento, ou melhor, a performance. Luana entra na sala, senta-se. Como uma artista, dispõe de seus instrumentos: um suporte a mesa, um pote de tinta branca, uma colher, um saco de pão de supermercado, seu corpo e suas idéias.

Colher na tinta, tinta no suporte, suporte na mesa. Colher na tinta, tinta no suporte, suporte na mesa. Colher na tinta, tinta no suporte, suporte na mesa. Colher na tinta, tinta no suporte, suporte na mesa.

A performer começa a soprar a tinta, que se espalha com muita dificuldade. O corpo, reservatório de ar, não dá conta, o material é denso e pesado, exige árduo trabalho. Ela insiste. Repete a ação algumas vezes.

Mudar o curso do ar, da gravidade.
Mudar de ar, corpo-sistema: inspira, exala,exala,exala,exala,exala pela boca!
Assopra o ar, interferindo no tempo do material, interferindo no espaço.Trabalho árduo.Pintura.

Hiperventilação:
Quando você hiperventila, seu coração bate mais rápido, provocando palpitação e você tem a sensação de que lhe falta ar. Seus braços, pernas e rosto (principalmetne a boca) formigam e podem ficar dormentes, porque na hiperventilação você elimina gás carbônico em excesso durante a respiração. Consequentemente o nível de gás carbônico no sangue e no cérebro cai, provocando os seguintes sintomas: palpitação, sensação de falta de ar, formigamento e dormência em pernas, braços e lábios, sensação de morte iminente e, algumas vezes, perda de consciência (desmaio).

Aconselha-se respirar em um saco.
A performer volta seu corpo para o saco. O saco age como um pulmão externo, o corpo chega próximo do limite.

abre e fecha abre e fecha, abre e fecha

Dizem que para evitar a hiperventilação é necessário não realizar atividades que causam ansiedade. Nesse caso, deve se transgredir a ordem, pois a ansiedade é fundamental no processo criativo do artista, assim como todo o ritual da performance para aqueles que a vêem.

Dally Schwarz

"Obrigada" por me lembrar do dinheiro.

Ao sair da placenta, você sente-se vivo, humano, um ser.
O primeiro contato com o mundo. O corpo-mundo, ainda é um pouco assim... aos poucos vamos começando a rastejar, depois nos equilibramos, caminhamos, ca-í-mos, levantamos, alguém nos levanta, nos soltamos delas. Achamos que não precisamos mais.
O segundo contato com o mundo. O corpo-membrana, aprendemos as coisas, falamos, repetimos, criamos, somos o contato e a captura das coisas. Construímos nosso mundo, ele parece que é maior que tudo, ou parece que esse tudo não está ao nosso alcance.
"As coisas só estão ao nosso alcance se temos dinheiro."
é assim que as pessoas crescidas, vividas, falam para você. Seus corpos-cascos estão mais que formados, eles têm uma experiencia de levar surras e de se desfazer das peles sem nenhum problema. Eles não sonham mais, eles não acreditam em deus, ideologia, ser humano, animal, construção de um posicionamento ético, arte, vida, estar, viver, andar, pensar... Eles são corpos-produtos do nosso mundo, e nós todos estamos caminhando para esse mesmo lugar, uma passárgada sem pássaros, nem árvores, nem gados, só nada.
Durante essa caminhada, nós perdemos tudo também, vão nos tirando tudo, mas nos dão dinheiro em troca.
Alguns acham uma troca justa, outros se acostumam, e poucos, aqueles que ainda sonham, são estuprados, rasgam-lhes a pele a força, e esses, esses que são os imorais, os perdidos, os que não acham o foco, os ingratos, estes aprendem o valor das coisas.

Sobre o branco

E de repente me deu assim...um branco.
O branco não é a ausência, não pode ser, continuo pensando, e muitas palavras e imagens me correm a cabeça como um riacho em fluxo intenso.
Mas, de repente, me parece que tudo junto virou uma massa expessa, grossa, densa e branca.
ideiasideaisideaisideaisideaisideaisideaisideaisideaisideaisideaisideaisideaisideaisideaisideaisideais,
preciso delas. Mas nada me parece bom, nada me parece embasado, ou conceitualmente interessante.

-Mas você quer falar do que?
-Não sei.Acho que não tenho nada a dizer.
-Como assim?Então você é um nada?Não sabe falar de nada, não tem nada a dizer?
-Não é nada. É um branco.



Dally

Seu problema real:
O desejo insatisfeito de ser respeitado, de sobressair-se entre os companheiros, está causando alguma ansiedade. Como resultado, o gregarismo normal é suprimido e ele se recusa a deixar-se envolver, ou a participar com os outros nas atividades comuns.

A necessidade de estima - de uma oportunidade para desempenhar algum papel importante e adquirir renome - tornou-se imperiosa. Reage insistindo em ser o centro de atenção e se recusa a desempenhar papel impessoal ou secundário.

"
Sou o que se chama de pessoa impulsiva. Como descrever? Acho que assim: vem-me uma idéia ou um sentimento e eu, em vez de refletir sobre o que me veio, ajo quase que imediatamente. O resultado tem sido meio a meio: às vezes acontece que agi sob uma intuição dessas que não falham, às vezes erro completamente, o que prova que não se tratava de intuição, mas de simples infantilidade.
Trata-se de saber se devo prosseguir nos meus impulsos. E até que ponto posso controlá-los. [...] Deverei continuar a acertar e a errar, aceitando os resultados resignadamente? Ou devo lutar e tornar-me uma pessoa mais adulta? E também tenho medo de tornar-me adulta demais: eu perderia um dos prazeres do que é um jogo infantil, do que tantas vezes é uma alegria pura. Vou pensar no assunto. E certamente o resultado ainda virá sob a forma de um impulso. Não sou maduro bastante ainda. Ou nunca serei.
Sentir é criar. Sentir é pensar sem ideias, e por isso sentir é compreender, visto que o universo não tem ideias.Uma ideia é um ponto de partida e nada mais. Logo que se começa a elaborá-la, é transformada pelo pensamento.

Pensar consiste, ordinariamente, em ir dos conceitos às coisas, e não das coisas aos conceitos.

Pensamentos sobre o vazio. Restam apenas poucos dias, e tudo permanece vazio, cheio de nada.

Ai de mim! Que vazio horrível sinto em meu peito! Quantas vezes digo a mim mesmo: Se pudesses uma vez, ao menos uma vez, apertá-la contra o coração, esse vazio seria desfeito.vazio agudo
ando meio cheio de tudoO vaso dá uma forma ao vazio e a música ao silêncio.A mãe reparou que o meninogostava mais do vazio
do que do cheio.
Falava que os vazios são maiores
e até infinitos.

Cortar o tempo

Quem teve a idéia de cortar o tempo em fatias,
a que se deu o nome de ano,
foi um indivíduo genial.

Industrializou a esperança, fazendo-a funcionar no limite da exaustão.

Doze meses dão para qualquer ser humano se cansar e entregar os pontos.
Aí entra o milagre da renovação e tudo começa outra vez, com outro número e outra vontade de acreditar que daqui pra diante vai ser diferente

sexta-feira, 23 de janeiro de 2009

Interferências Espaciais




Evelyn Müürsepp



Evelyn Müürsepp - Estónia
Evelyn Müürsepp, é uma artista visual oriunda da Estónia. É licenciada em Belas-artes pela Universidade de Tartu e um dos coordenadores do MoKS, um centro de residências artísticas em Mooste. Evelyn colabora com o artista John Grzinich em diversos projectos combinando artes sonoras e visuais e tem apresentado o seu trabalho em mostras individuais (maioritariamente de artes gráficas, pintura, fotografia, instalações “site-specific”) em galerias e festivais nos países bálticos e Norte da Europa.


http://maaheli.ee/eku%20



Projecto: Kudum Categoria: Artes Visuais, Instalação


Período: Abril 2008


Evento: Residência Artística

De quando em quando a minha criação envolve padrões. Estes podem ser papéis de parede ou detalhes pintados de objectos (como espuma, folha, pão, solo, campo) que encontro.
Recentemente uma visita a Obinitsa (aldeia de Setu na Estónia, junto à fronteira Russa) deu a volta à minha mente. Uma artesã local mostrou-me padrões tradicionais que a mulheres tecem desde há vários séculos nas suas roupas. Existe uma regra que elas têm de seguir – cada artesã não pode copiar integralmente um determinado padrão, mas sim partir de um padrão e alterá-lo, mostrando de alguma forma como chegou ao padrão modificado. Posteriormente, identifiquei o mesmo princípio quando o artista de Setu e antigo “rei” Evar Riitsaar me falou das suas canções. Estas normalmente começam da mesma forma no entanto, mais ou menos por volta da 10ª estrofe, começam a detectar-se alterações. As suas canções normalmente são cantadas por um cantor principal enquanto outros repetem. A cultura folclórica em grande medida não tem autor e a sua prática baseia-se em ligeiras e contínuas alterações. Outros podem pegar na criação anterior e desenvolvê-la sucessivamente. A ideia de “Open Source” incorpora o mesmo espírito – os utilizadores podem alterar o código de um programa, ajustá-lo às suas necessidades ou propósitos criativos.Durante a estadia em Nodar, terei os meus olhos, sentidos e ouvidos abertos. O que posso esperar?


Fase I – Pesquisar e recolher padrões em Nodar e na região circundante. Desenhá-los, pintá-los, fotografá-los e gravá-los. Estes podem ser tanto padrões da natureza ou de actividades humanas. (papel de parede, tecidos, etc.).
Fase II – O trabalho produzido será baseado na pesquisa anterior e assumirá as formas possíveis de animação, vídeo, desenho, pintura ou instalação. Dependerá do material recolhido e do que eu encontrar.




quinta-feira, 22 de janeiro de 2009

Bruce Nauman

Referências Visuais


Katharina Grosse nasceu em 1961 na cidade de Friburgo, Alemanha, vive e trabalha em Dusseldorf e Berlim e é professora na Kunsthochschule Berlin-Weissensee desde 2000. Entre 1996 e a actualidade apresentou exposições individuais um pouco por todo o mundo - Alemanha, Áustria, Reino Unido, Suiça, Estados Unidos, Nova Zelândia, Austrália e Coreia do Sul, entre outros países.
*Famosa pela forma singular de desafiar a arquitectura dos espaços expositivos através do uso de spray de cores, Katharina Grosse produziu dois novos e ambiciosos trabalhos especificamente pensados para os espaços do Museu de Serralves. Um dos trabalhos ocupa a sala central dos espaços expositivos do Museu, onde Grosse se interessou especialmente pelos diferentes níveis do espaço e pela janela alta na parede ao fundo dessa mesma sala. Ali foram colocados volumosos objectos produzidos para esta exposição – esferas e ovos com cerca de 70 cm de diâmetro. A artista pintou o chão, as paredes, as esferas e os ovos usando um compressor e uma pistola de tinta – para o efeito, a artista veste um fato protector que cobre todo o seu corpo. No corredor do lado direito do espaço expositivo do Museu, com cerca de 40 metros, a artista distribuiu pilhas de terra e pintou o chão, a terra e as paredes.
*
Extraído do press release da exposição «Atoms outside Eggs»
do Museu de Serralves no Porto.
*
«Foi em 1998 que Grosse utilizou primeiro as tintas em spray, depois de ter desenvolvido um conjunto de pinturas em diferentes suportes que eram simultaneamente estruturais, coloridas e sensuais. Desde aí, a sua obra tem vindo a desenvolver-se, a tornar-se cada vez mais extraordinária, e a atingir resultados espectaculares: a nebulosidade da tinta em spray, em todas as cores e combinações possíveis, a cobrir suportes arquitectónicos, a interagir com diferentes formas e massas tridimensionais introduzidas num dado espaço pela própria pintora.Ao mesmo tempo que se traduz numa obra divertida e estimulante, esta exposição pretende também levar o público a focar algumas questões essenciais da natureza formal da pintura e problemas que estão no centro da realidade contemporânea, como a contaminação, quando Grosse espalha as suas cores em spray sobre pilhas de terra.Como pintora, Katharina Grosse coloca a seguinte questão: que tipo de realidade é a pintura? Esta pergunta é colocada através de outras perguntas: qual é o lugar da pintura; quais as relações entre a tinta, a cor e o seu suporte; quais as diferenças entre pintar e imagem? A linguagem que utiliza para colocar todas estas perguntas é, no entanto, totalmente fora do comum e aproxima-se do espectacular: pinta usando pistola de tinta ou spray, usa cores violentas e movimentos de grande alcance que atravessam todas as componentes de um dado cenário arquitectónico incluindo a mobília, as roupas, o solo, os objectos geométricos, etc.»
Ulrich Loock, Comissário da Exposição
e Director-adjunto do Museu de Serralves

Bolação. Katharina Grosse



Para mais bolações: O site

quarta-feira, 21 de janeiro de 2009

Curta o Curta


Historietas Assombradas (para crianças malcriadas)
Animação De Victor Hugo Borges 2005 15 min
Com Isabela Guasco, Mirian Muniz
Três histórias que sua avó não contou, senão você ia fazer xixi na cama. Vencedor do Prêmio Porta Curtas e do Júri Popular no Festival do Rio 2005!

Historietas Mal assombradas (para crianças malcriadas)

" Conta de bichinhos!

Vou contar de bichão"

Curta o Curta!

Outro curta do Carlos Eduardo Nogueira.
Desirella fala do desejo feminino de ser jovem e bela para sempre, como essa ambição pode tornar-se uma maldição, e como as mulheres estão sendo afetadas por esses desejos.
Esse curta é um pouco antigo, mas é uma das minhas animações preferidas!
Conta a historia dos orixas com uma estética pop japonesa dos animes
e com um erotismo típico deste gênero.
Animação, Conteúdo Adulto De Carlos Eduardo Nogueira 2006 18 min
Com Milton Gonçalves
http://gallassi.googlepages.com/yansan_logo.jpg
"E apesar de dominar o vento, Yansan originou-se na água, assim como as outras Yabás que possuem o poder da procriação e da fertilidade.
Yansan ainda sopra a brisa que com sua doçura espalha a criação, fazendo voar as sementes que irão germinar na terra e fazer brotar uma nova vida."

percepção

texto

Para me justificar na teoria e rasgar mais a minha percepção


"Olho mágico é uma expressão comum às ações de olhares através da materialidade das casas para o exterior, para a busca de quem chega para uma visita ou qualquer outra intencionalidade. Talvez ainda possamos comprar um olho mágico em lojas de material para construção e ele — hoje substituído pela imagem de uma câmera de vigilância — sirva para esconder nossa presença ao observar o outro, mesmo com a sensação de estar sendo percebido. A diferença é a intermediação: a imagem do olho mágico é ótica e direta — como a imagem da Sala Mae West, de Salvador Dali no museu teatro em sua cidade natal em Figueras, Espanha —, pois somente a percebemos pela imensa lente no lugar indicado pelo artista e nenhuma imagem substitui essa experiência única e individual."


Les Triplettes de Belleville

Demais!!!!!!!

terça-feira, 20 de janeiro de 2009

Kubota Gutai



"Em 1957, um ano após a morte de Jackson Pollock, uma mulher, oriental, pertencente ao grupo Guttai, de nome Kubota, enfia um pincel em sua vagina e pinta quadros. Outro, luta caratê com as telas de pintura, em branco, destruindo-as. Aparecem novas formas de se enxergar o corpo na arte. E o próprio corpo da arte se transmuda, também."

Balkan sign / Балканская примета



"To help the grass grow, men masturbate into it...
"To help the grass grow, men masturbate into it."

Если трава на вашей лужайке плохо растет, воспользуйтесь балканской приметой.

Отрывок из фильма Марины Абрамович

ana mendieta bienal sao paulo stgo chile mayo 07

bienal sao paulo stgo chile mayo 07

Ana Mendieta


segunda-feira, 19 de janeiro de 2009

impressões de marina kezen.

Des O'Connor,

Ha ha Ha...demais!

Marlene Dumas

Nan Goldin [part 2]

Nan Goldin [part 1]

Tragedia Endogonidia - Raffaello Sanzio

http://www.raffaellosanzio.org/

Sumie

Pra quem se interessar...

O FAD, Festival de Arte Digital, que rola em março, em Belo Horizonte, está com as inscrições abertas, até o dia 28 de fevereiro.
Poderão ser inscritos projetos nas seguintes àreas: Audiovisual set / Performance (lives AV), Instalações (interativas e generativas) e Webart Interativo / arte digital.
Os interessados devem mandar um projeto com biografia, informações detalhadas sobre o trabalho e links para documentação (vídeos, txts, etc), para os e-mails 1mpar@festivaldeartedigital.com.br ou tee@festivaldeartedigital.com.br.
As inscrições são gratuitas.

ctrlC+ctrlV - Refest

sábado, 17 de janeiro de 2009

Ogawa Ryu Sumi-e VII Valencia - Spain

Cartola - Preciso Me Encontrar

pra depois perder de novo.

no final só nanquim, tudo preto.
teto preto.
nanquim
merda.
nanquim

sexta-feira, 16 de janeiro de 2009

Concurso Garota da Laje - primeiras pesquisas


A bunda de Simone de Beauvoir

por Paula Sibilia

Uma foto da escritora feminista nua, com alguns traços retocados digitalmente, causa polêmica em Paris

Leia o texto na íntegra no site da Trópico


Concurso Garota da Laje - primeiras pesquisas

Festa da celulite
A celulite invadiu o Rio de Janeiro. Em cartazes e outdoors.A tão indesejada gordurinha virou arte pelas mãos do artista plástico Alexandre Vogler, professor da Uerj e um dos fundadores do grupo Atrocidades Maravilhosas (que sempre monta instalações provocativas pela cidade).
ISTOÉ – Por que celulite?
Vogler – Resolvi fazer a anti-propaganda da beleza.
ISTOÉ – O seu trabalho está sendo bem aceito?

Vogler – A idéia é denunciar a vulgarização do corpo. Só que muitas mulheresnão têm me entendido.

Concurso Garota da Laje- primeiras pesquisas

Nesta sexta-feira, algumas candidatas pararam o comércio no Saara. "Isso é que é mulher bonita, e não aquela coisa que eu tenho lá em casa", brincou um rapaz, olhando para as candidatas. "Imagina meu marido na laje vendo essa mulher de biquíni? Ia apanhar", contou, bem-humorada, a dona de casa Ana Cláudia dos Santos. "O velho não morre mais de enfarte. Fiquei curado! Ver três belezas dessas é demais! Isso é uma arte", ressaltou, com um largo sorriso, o vendedor Carlos Alberto Menezes.

A garota da Lage - primeiras pesquisas

“Queremos transformar o brega em cult e parar com isso da ditadura da beleza, homem não liga para celulite nem estria. São meninas que moram em comunidades e por causa da distância da praia, do ônibus cheio e da violência preferem ficar sem suas lajes e quintais”, explica Luiz Antonio Bap, organizador do evento.

No Rio de Janeiro, um concurso de beleza está abalando as estruturas: é a escolha da "garota da laje". Para disputar o título, as candidatas precisam se bronzear na cobertura de concreto da casa.

Jéssica Guinco é a autêntica garota da laje. Em Duque de Caxias, ela toma sol sem esquecer de um tal kit. "Canga, um óleo básico - porque toda a menina da laje gosta de ficar como um frango de padaria -, e não pode esquecer o filtro solar, porque o sol não é brincadeira", ressalta Jéssica. Então, é só aproveitar o sol na Laje, sem ligar para os olhares curiosos. É a alegria dos vizinhos.
"É fantástico. Está do meu ladinho. De vez em quando eu olhava e falava: 'Nossa! Que morena!'", conta Estefânio Costa, vizinho da laje onde Jéssica toma banho de sol. E se esquentar muito, nada que um banho de mangueira não resolva. Para ser candidata à Garota da Laje é preciso ter pelo menos 18 anos, morar em uma comunidade e ter, principalmente, uma beleza natural. "A gente não tem tratamento estético. Temos celulite e estria para mostrar nossa beleza da comunidade", exaltou uma das candidatas.

quinta-feira, 15 de janeiro de 2009

chegou a tropa, a tropa do Choque de Ordem.

Mas o que é o choque? Choque é uma desordem no sistema circulatório. Em um estado de saúde normal, o coração bombeia o sangue através das artérias, veias e capilares, para alimentar os órgãos e tecidos do corpo com oxigênio e nutrientes. Mais importante, o sistema circulatório irriga o cérebro, o que nos mantém vivos. Algumas vezes, o corpo não consegue fazer com que o sangue chegue aos órgãos e tecidos, levando ao choque.
Quem quer manter a ordem?Quem quer criar desordem?

Living inside a Pollock After effects animation

Me lembrei dessa webart:
http://www.jacksonpollock.org/

Niki de Saint Phalle

Explosão de cores e formas.

terça-feira, 13 de janeiro de 2009

Ernest Pignon Ernest - uma descoberta no escuro.


Um tanto quanto obscuro,
detalhista e minuscioso,
trabalha no escuro - na noite,
historico, sacro e infame,
na rua, no esquecimento,
ele nao pede passagem
imprimi um rosto, um corpo
marca a cidade.
Num momento de fuga, fumando no banheiro do estágio, conversei com Marie, a moça responsável pela área de artes visuais e cênicas do Consulado, e depois de muito falarmos sobre artistas que trabalham no espaço publico e de arte urbana, eu conheci Pignon.
Prazer, Monsieur.


-Esse homem aí me parece...hum...com...Artaud. Eu gosto muito do Artaud.


-Oui,oui, mademoiselle, C´est lui même. - Disse Marie, me mostrando as fotos em seu armário enquanto falava um pouco do trabalho desse artista.


Achei seu site na net e também um livro sobre monumentos que fala um pouco dele.

segunda-feira, 12 de janeiro de 2009

Resenha Crítica da peça Clandestinos de João Falcão.

“Perdido en el corazón
De la grande Babylon
Me dicen el clandestino
Por no llevar papel!”

Clandestino - Manu Chao

A palavra clandestino, se a procurarmos na wikipédia, significa entre outros sentidos pessoa que reside em um país que não é o seu. De fato é mais ou menos este caminho que devemos trilhar para compreender a mais nova peça de João Falcão.
Entramos no teatro Glória, os atores já estão em cena, mesmo antes da peça começar. O cenário que deixa as estruturas do teatro à mostra e explora diversos níveis do palco, é composto de muitos instrumentos musicais e uma parede imensa toda rabiscada. Este ambiente juvenil, com grafismos modernos, nos remete ao cheiro da urbanicidade, o local da fama, do caldeirão cultural, do movimento, da oportunidade, do sonho, das tendências, mas também da solidão, da competição, da desigualdade, da diferença, da frustração, da espera, da espera, da espera...
Todos os atores representam personagens que vão à metrópole, no caso ao Rio de Janeiro, com a vontade se tornar ator/atriz. Eles cantam, dançam, fazem de tudo para conseguir chamar nossa atenção. Muitas piadas são baseadas no senso comum e alguns chavões se repetem: a mulher bonita e boa, o gay que desmunheca, o negro com estilo étnico, as meninas magras e leves com vozes suaves que quase quebram de tão delicadas, a menina bobinha e romântica do interior, a ruiva toda de preto que vem de São Paulo e que odeia o Rio de Janeiro, a areia e a televisão, a menina gordinha que representa uma menina gordinha, enfim, apesar da previsibilidade dos personagens a atuação da maioria conseguia divertir e em alguns momentos éramos pegos de surpresa com um número musical bem articulado.
A proposta da peça para além da história me parece ser o ponto forte da discussão acerca de Clandestinos. A maneira como a realidade e a ficção se misturam causa em nós uma curiosidade, nos questionamos se de fato aquela é mesmo a história daqueles atores, ou então se seria mais um personagem em suas vidas. Ao nos acostumarmos com as estrelas de Hollywood e os famosos da televisão, que acabam fazendo o papel de si mesmos, nós também não conseguimos fugir dessa vontade de saber do universo íntimo do ator. Seria isso, o desejo de saber da vida privada, uma marca contemporânea? Seria o ator personagem de si mesmo devido ao seu corpo-midia? Ou no decorrer da história os rasgos da realidade foram tornando-se uma questão para o teatro? João Falcão e sua Cia instável de teatro conseguem despertar essas dúvidas e esses desejos em nós espectadores. Clandestinos reúne simplicidade no texto e grandiosidade em cena.



sexta-feira, 9 de janeiro de 2009

Shiraga Kazuo - GUTAI

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Desvio para o vermelho- Cildo Meirelles

http://tgmacedo.blogspot.com/2007/12/desvio-para-o-vermelho.html

Red paint splashed across centre

Thursday January 1, 2009


MUAR: The Mentri Besar’s special officer Chris Lee had a shock when red paint was splashed across his newly-set up service centre here.
Lee, who planned to open the centre along Jalan Ali yesterday, suspected it was carried out by certain quarters who were envious of him.
Lee, who is the Mentri Besar’s special officer for the Bentayan constituency, said a Chinese daily reporter informed him of the splashed paint at 8am when he was about to attend a meeting at the Muar municipal council.
“I think someone doesn’t want me to open a service centre in town,” he said. “However, since the paint colour used is red, I’ll regard it as a sign of good fortune,” he told reporters after the council meeting yesterday.
Seeing red: The Bentayan Community Committee workers cleaning up the red paint at Lee’s office Wednesday.
Lee said he believed the incident happened during the night, adding that one of his staff members would lodge a police report.
He added that the incident would not discourage him from providing service to the residents.

Jelena - Artista Holandesa




vermelho- menstrual









vermelho-menstrual

10/02/2005 - 14h27
Mulheres militares humilhavam prisioneiros muçulmanos em Guantánamo


WASHINGTON, 10 fev (AFP) - Mulheres militares, encarregadas de interrogar os prisioneiros muçulmanos na base de Guantánamo, andavam quase nuas em frente deles e os besuntavam com tinta vermelha, que simulava menstruação, para humilhá-los, anunciou um relatório do Pentágono revelado nesta quinta-feira pelo jornal The Washington Post.O texto do relatório, que não foi divulgado publicamente, confirma os testemunhos dos prisioneiros muçulmanos detidos em Guantánamo (Cuba) a seus advogados, afirmando que as mulheres encarregadas de interrogá-los, de forma reiterada, recorriam a táticas sexuais sugestionadas para mortificá-los e conseguir confissões.A investigação revelou vários casos em que as mulheres derramaram tinta vermelha sobre o corpo dos prisioneiros simulando sangue de menstruação, destacou um funcionário do Pentágono ao jornal, frisando que a ação era realizada antes da oração dos muçulmanos. "Algumas mulheres se jogavam contra os prisioneiros, uma militar desfilou com uma camiseta molhada e outras tocaram sexualmente os detidos", acrescentou.O sexo e o contato com as mulheres são temas tabus para os muçulmanos que devem se lavar antes de cada oração para se purificar.Duas mulheres chamaram mais atenção por terem utilizados métodos sexualmente sugestivos, disse o militar.O Pentágono lançou uma investigação sobre as condições dos interrogatórios e da detenção dos prisioneiros no mundo, realizada pelo vice-almirante Albert Church, informou o jornal a um funcionário.

terça-feira, 6 de janeiro de 2009

domingo, 4 de janeiro de 2009

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