sexta-feira, 27 de fevereiro de 2009

"Feminismo em Tempos Pós-Modernos
(introdução a O Feminismo como crítica da cultura)

Quais teriam sido os caminhos e os viézes que permitiram a emergência e a consolidação do pensamento teórico feminista num quadro epistemológico marcado fundamentalmente por crises, instabilidades e pela evidência do progressivo desprestigio das narrativas mestras que vinham consolidando e legitimando os projetos sociais, econômicos, religiosos e politicos e da modernidade?

Ainda que o feminismo como ideologia politica possa ser identificado desde o século XIX, é nestas duas últimas décadas, exatamente num momento em que se fala, de foma categórica, sobre o "fim da ideologia" e sobre a ineficácia dos discursos contestatórios, que o pensamento feminista surge como novidade no campo acadêmico e impõe-se como uma tendência teórica inovadora e de forte potencial critico e politico. . ."

+++Continua aqui+++

Janaína Tschape

http://www.canalcontemporaneo.art.br/imagens/1427.jpghttp://1.bp.blogspot.com/_Sgq0QElia8o/RvmQ7TCgjwI/AAAAAAAAABc/9WTSvJqX-l8/s320/Janaina-Tschape.jpghttp://131.247.128.63/CAM/exhibitions/2004_07_Tschape/images/spider2.jpg

Cristina Salgado

Ana Miguel - referencias visuais, descobertas pos processuais!

http://www.canalcontemporaneo.art.br/imagens/1228.jpghttp://www.jornaljovem.com.br/img_artigos/9_exposicao_mac_Ana_Miguel.jpg

quinta-feira, 26 de fevereiro de 2009

referencias

http://www.pacc.ufrj.br/thumbs/fotos/palazian3.jpg

OLHARES SOBRE O FEMININO


Exposição traz a visão de artistas de diversos cantos do mundo sobre a mulher no mundo contemporâneo

"Como podemos retirar das mulheres o medo?" A pergunta é feita pela cientista política Adelina von Fürstenberg, fundadora da organização não governamental (ONG) Art for the World - "arte para o mundo" em inglês -, entidade cultural sem fins lucrativos que busca nas linguagens artísticas o caminho para promover o diálogo e a compreensão entre povos de diferentes culturas, além de encorajar a solidariedade e fomentar a educação. "Medo dos homens, de outras mulheres, da maternidade, da insegurança, da velhice, de si próprias." Segundo Adelina, por mais que a civilização tenha amadurecido, ainda há "a enorme distância" entre as culturas desenvolvidas e subdesenvolvidas, nas quais, afirma, "persiste uma visão de mulher submissa".A mulher, seus medos e sua condição e papéis na sociedade do século 21 são a tônica da exposição Mulher, Mulheres - Um Olhar sobre o Feminino na Arte Contemporânea, em cartaz na unidade provisória Sesc Avenida Paulista de 9 de março a 10 de junho. A mostra, com curadoria da própria Adelina, traz instalações, fotografias, vídeos, slides e performances de 19 artistas, homens e mulheres, de 11 países - México, Suíça, Japão, Brasil, Estados Unidos, Itália, Coréia, Grécia, Alemanha, Etiópia e Sérvia. Nos trabalhos, a mulher é retratada por meio de diferentes imagens. Desde a de mãe e companheira até a de profissional e a artista, passando pelas figuras da irmã, da amante e da santa. "Não tem nada a ver com 'arte feminina'", avisa a curadora. "Trata-se de reflexão sobre a mulher na sociedade contemporânea." Mulher, Mulheres chega ao Brasil após uma primeira temporada em Florença, na Itália, onde deu início à série de considerações que pretende fazer acerca dessa multiplicidade por meio da arte.

PRESENÇA BRASILEIRAOs trabalhos dos cinco artistas brasileiros participantes se inserem no campo de questionamentos que permeiam a exposição. Usando a fotografia como suporte, Rochelle Costi cria uma série de backlights [painéis cuja iluminação é posicionada atrás da imagem exibida] para criticar a transformação da estética contemporânea por meio de procedimentos cirúrgicos - ligados às mulheres, sobretudo às ocidentais. Lenora de Barros mostra uma série de imagens de uma cabeça coberta por um gorro e em constante contato com duas agulhas - "como se estivessem fechando o olhar dessa pessoa", explica. Rosana Palazyan utiliza o bordado - técnica culturalmente ligada aos "afazeres femininos" - na composição de sua obra. Nelson Leirner discute a dependência econômica e a globalização empregando um jogo de combinações de técnicas. Já Fabiana de Barros mostra outro de seus trabalhos interativos por meio dos quais busca estabelecer uma relação individual com o espectador. Para Nelson Leirner, uma das principais questões femininas ainda em discussão hoje é "a igualdade com o homem". Nesse contexto, ele destaca a relevância do evento. "Essa exposição é importante para mostrar diferentes pensamentos e conceitos individuais em um grupo de artistas", declara. Segundo ele, um diferencial da mostra é trazer a visão masculina sobre o universo da mulher. Lenora de Barros acredita que um dos maiores questionamentos femininos da atualidade é "carregar a responsabilidade de procriação, salvação, manutenção e até mesmo a perpetuação do mundo". Como exemplo, ela cita o poeta Décio Pignatari. "Foi ele que escreveu que 'a mulher tem o relógio da história na barriga'."

Laura Lima


segunda-feira, 16 de fevereiro de 2009

Tecendo meus caminhos, é preciso sair do papel e adentrar o espaço!

Mais sobre o bordado +
+++++++++++++++++++++

Sobre o bordar e as formas de expressão feminina

Bordado

Facilmente associamos qualquer acto de criação às mãos: uma singela peça de barro, um contador, um cálice de oiro, um relicário de prata, uma escultura ou uma pintura têm subjacente um acto criativo e, sempre, mas sempre as mãos – as mãos do pintor, as do escultor, as do ourives, as do marceneiro e as do oleiro. Neste rol de profissões raro nos lembramos das mãos que bordam.

Bordar parece ter sido quase sempre um monopólio do «eterno feminino». As mãos da mulher – por formação não por natureza –, são dotadas para a minúcia, o pormenor, o cuidado no detalhe e no efeito da obra. Bordar, como qualquer acto criativo é um acto solitário inserido na «humanidade» de cada época – um bordado é simultaneamente diferente e igual a um outro, ou seja distinguimo-los nos detalhes, igualamo-los através do quadro tipológico, técnico e temporal em que ambos se inserem.

Muitos bordados (e não se tome a parte pelo todo) divergem também das artes atrás referidas, porque diferente é o seu «circuito comercial». Um ourives, um marceneiro, um oleiro fazem as suas peças para as vender e delas retirar «lucro», uma mulher que bordava, fazia-o para «enfeitar» o seu bragal – o lençol para a cama, a toalha para cobrir o cesto, a toalha para a mesa de Páscoa, o colete de rabichos... –, ou para oferecer a quem estimava – o «conversado», o médico que a tratou, aquele a quem devia favores....

O bordado «tradicional» português, porque é uma arte no feminino, não foi sujeita a regimentos, não está taxada nas feiras, raro consta dos Inventários de bens, não era vendido (ou muito pouco seria) de porta a porta. O bordado tradicional português saía das mãos de prendadas freiras ou das suas «criadas», das mãos de mulheres que habitavam nas casas senhoriais – fossem estas as das senhoras ou das suas criadas –, ou das mãos de mulheres do povo que, nos tempos de pausa das tarefas agrícolas ou outras a que se dedicavam, fiavam, teciam ou bordavam o linho.

Qualquer estudo que vise investigar, divulgar e promover o bordado de Guimarães tem de ter em conta estes dois aspectos: trata-se de uma arte no feminino e de uma arte que na sua origem não é criada para abastecer mercados mas é feita sim para uso próprio, no recato do lar ou para «enfeitar» a roupa que se traz no corpo. O bordado de Guimarães foi mantido ao longo de gerações, ensinado no recato do lar ou na clausura dos conventos, e é hoje, mas não desde não há muitos anos, uma arte que se tende a transformar em «profissão» e a entrar nos circuitos comerciais. Mudou o perfil da executante, daquela que produz, mudou o perfil de quem «consome», e houve necessariamente uma mudança na forma e na função do que se produz – raro se faz coletes de rabicho, raro se faz camisas de lavrador, raro se faz panos para açafate; muito se faz panos de tabuleiro, bolsas de guardanapo, toalhas para chá, saquinhos para cheiros...

Diz o povo que «ninguém ama o que não conhece» e, dizemos nós que não podemos preservar, certificar e promover o bordado de Guimarães se não estudarmos a sua história, a sua geografia de implantação, as suas técnicas, os seus desenhos, as suas cores, ou seja, os seus referenciais históricos e de produto.


As mulheres e o espaço de expressão - o que as cartas dizem?

“Afinal, leitores, qual é o fim do feminismo? É procurar um remédio, uma porta de saída, um respiradouro, uma solução, para situações tristes e difíceis.”

E por que se há de ridicularizá-lo? Apertem a garganta a alguém, e verão se esse alguém não busca desesperadamente livrar-se do arrocho que lhe tolhe a entrada de ar nos seus pulmões agoniados."

Cristiane Costa


Para ler sobre o livro: Mulheres Escritoras brasileiras no séc. XIX

sexta-feira, 13 de fevereiro de 2009

ainda falando da Maiolino.

Anna Maria Maiolino – A ética da simplicidade

Luiz Camillo Osorio

O gesto na obra de Anna Maria Maiolino é simples e nasce de um movimento repetitivo, quase ritualístico, atuando sobre o suporte, que vai do papel ao cimento. O desenho ganha enorme destaque a partir da década de 70, marcado por uma vontade de dar vida própria à linha, uma vida desejante e delirante, que vai acompanhá-la dali para a frente. Em alguns momentos, a linha escapa do plano e se insere no espaço através, por exemplo, dos moldes de cimento ou de cerâmica. A razão de ser gestual, seja nos desenhos seja nas esculturas-instalações é a mesma: simplicidade, economia, repetição.

O desenho potencializou o caráter experimental de sua obra. Ele é o lugar da liberdade e da gestação de possibilidades criativas. Seus desenhos são produzidos usando uma gama variada de materiais, ora tomando o papel como suporte ora como elemento poético em si. Novas operações plásticas, como o rasgo, o corte, a costura, o uso e a manipulação do próprio papel, passaram a ser utilizadas, dando ao desenho uma auto-suficiência ao mesmo tempo lírica e austera. Os desenhos-objetos, como ela denominava certas interferências gráficas que conspiravam e transformavam a superfície do papel, não se abriam para o espaço, como os cortes de Fontana, mas buscavam uma camada interior velada, que não se deixava mostrar e se mantinha enigmática. Ela não agride o plano, joga com ele, manipula-o livremente, mostrando que por mais real que seja o ato de cortar, a ação poética só interessa quando aponta para além de si mesma, quando se abre para o desconhecido e o enigmático. O vazio que assoma no interior de seus desenhos e de vários objetos e relevos é uma espécie de respiração no interior da forma. Uma forma pulsante e precária. A escala em seu trabalho muitas vezes é monumental, mas nasce de um gesto mínimo e delicado. A série 9 segmentos (1998), é um bom exemplo, com o cimento sendo moldado por um processo infinito que revela o contato intimo da mão com a matéria, com a terra, simulando a produção do alimento, a reprodução da vida.

O uso deliberado do vazio implica em enorme economia expressiva, em uma espécie de desdramatização do conteúdo gráfico. A capacidade de expressão está diretamente ligada à capacidade de significação intrínseca da linguagem visual, da propriedade de seus materiais, das várias hibridizações possíveis entre a linha, o corte, a mancha, o vazio. Na série intitulada ações matéricas (1995/2004) a tinta acrílica atua sobre a tela e desenha de acordo com o seu desejo de acomodação no plano. A artista atua menos para a matéria agir mais.

O principal na produção recente da artista vai se voltar para o que o poeta brasileiro Haroldo de Campos denominou de “utopia do significante”, ou seja, para a capacidade da linguagem artística produzir sentidos sem uma segurança referencial pré-determinada. Esta liberdade semântica, muito cara a arte conceitual, teve na obra de Maiolino um diferencial lírico singular. A sutileza de sua artesania poética aliada à capacidade de introduzir, sempre com a economia necessária, o elemento afetivo, gera um “calor emocional” muito próprio a sua obra.

Se a sua produção figurativa já trazia imanente uma preocupação de conjugar política e afeto, incorporando elementos de uma identidade fragmentada e em contínua invenção, sua obra recente, dos desenhos às instalações, assume esta subjetividade transitiva como motor de sua poética. Com a descrença na potência autônoma da forma modernista, a arte buscou se repotencializar na afirmação do pequeno gesto, na desconstrução da lógica de um sujeito e de uma verdade universais. A particularidade de uma cultura e a singularidade de um olhar passaram a informar as práticas artísticas e a agenda política contemporâneas. Na combinação de um gesto simples e afetivo se desenha a atualidade, não só estética, como ética, da obra de Anna Maria Maiolino.

Luiz Camillo Osorio – Agosto de 2004

Dar vida própria à linha.

A linha escapa do plano e se insere no espaço.

Anna Maria Maiolino (1942)



Anna Maria, que trabalha com uma enorme variedade de materiais e em diversas formas de expressões artísticas, da pintura à escultura, acredita que sua arte, nos últimos anos, tem acompanhado o movimento da vida e da natureza. A artista Anna Maria Maiolino – considerada pela crítica especializada uma grande expressão das artes plásticas na atualidade – faz uma palestra nesta segunda-feira (12), às 18h30, no Auditório Brasílio Itiberê. O evento, promovido pela Secretaria de Estado da Cultura, marca a abertura da Semana Nacional dos Museus, que desenvolverá uma intensa programação em Curitiba. A artista irá falar um pouco sobre a sua trajetória artística e como percebe o panorama atual das artes plásticas no Brasil.

Anna Maria, que trabalha com uma enorme variedade de materiais e em diversas formas de expressões artísticas, da pintura à escultura, acredita que sua arte, nos últimos anos, tem acompanhado o movimento da vida e da natureza. “Desde 1990 meu pensamento e sentimento, nutridos por resíduos de lembranças, direcionaram minhas experiências de ateliê às ´seriealidades`, que passaram a ser parte do discurso da minha obra. As pulsões energéticas foram se afirmando, deixando marcas poéticas de necessidades e do acaso na realização do trabalho”, considera a artista.

A artista - Apesar da origem italiana, a formação artística de Anna Maria Maiolino é latino-americana. Precocemente, inicia seus estudos de arte na Escuela de Artes Plásticas Cristóbal Rojas, em Caracas, Venezuela, em 1958. Muda-se para o Rio de Janeiro em 1960, e freqüenta os ateliês de pintura e gravura da Escola Nacional de Belas Artes. Na década de 60, a artista concentra-se na xilogravura, paralelamente à produção de objetos. As paisagens e cenas de interior, as grandes áreas brancas, demarcadas por figuras pretas de recorte suave, dão lugar à figuração colorida de cunho narrativo, com temas urbanos e/ou relacionados ao cotidiano e à condição da mulher.

Anna Maria torna-se uma das figuras-chave da exposição Nova Objetividade Brasileira, ocorrida no MAM do Rio de Janeiro, em 1967. Sua aproximação à cultura popular dá-se mediante o interesse pela gravura dos folhetos de cordel, combinando seu estilo gráfico a temas sociais e políticos atuais.

Muda-se para os Estados Unidos em 1968, e lá permanece por três anos. A artista volta-se para a poesia experimental, que rapidamente a leva ao desenho. Inicia uma produção importante de desenhos, que continua até os dias atuais. Sua tônica é a investigação da materialidade do papel e os limites de sua espacialidade. A figura sai de cena e dá lugar a novos elementos, como cortes, dobras, costuras com linha, palavras escritas, e incisões gravadas.

A folha é explorada em sua existência sensível no espaço, sendo por vezes trabalhada frente e verso. São dessa fase séries como “Mapas Mentais” (1971), e os desenhos-objeto “Buracos Negros” (1974), nos quais o plano pessoal e o político se amalgamam. A década de 1970 coloca Anna Maria diante do desafio de experimentar outras formas de expressão, e ela realiza filmes e instalações.

Sob a ditadura realiza o super-8 “In-Out Antropofagia” (1974) e as instalações “Feijão com Arroz” (1979), reedidata ano passado em Lisboa, e “Entrevidas” (1981). Na década seguinte a artista volta-se também à pintura. E de certa forma anuncia a preocupação com a gestualidade e a relação com a matéria, presente nos objetos escultóricos de parede e relevos (em argila, gesso e cimento) do início dos anos 1990.

Pouco a pouco, a artista concentra-se no aspecto manual do fazer artístico e passa a usar quase que exclusivamente a argila, por influência do artista argentino Victor Grippo. Em 1990 recebe o prêmio de melhor mostra do ano, da Associação Brasileira de Críticos de Arte (ABCA), pela exposição individual realizada em 1989, no Centro Cultural Cândido Mendes.

Elabora projetos com grande quantidade desse material, em que a repetição do gesto e seu registro na matéria assinalam enorme concentração de energia. Instalações como “Muitos” (1995) ou “São Estes” (1998) colocam o corpo no centro do trabalho de arte, ao mesmo tempo em que transformam o gesto desmemoriado do cotidiano em reservatório de experiência. Realiza em Nova York, em 2002, exposição retrospectiva acompanhada do livro A Life Line/Vida Afora
Desde 1990 meu pensamento e sentimento, nutridos por resíduos de lembranças, direcionaram minhas experiências de ateliê às ´seriealidades`, que passaram a ser parte do discurso da minha obra. As pulsões energéticas foram se afirmando, deixando marcas poéticas de necessidades e do acaso na realização do trabalho”, considera a artista.

A artista - Apesar da origem italiana, a formação artística de Anna Maria Maiolino é latino-americana. Precocemente, inicia seus estudos de arte na Escuela de Artes Plásticas Cristóbal Rojas, em Caracas, Venezuela, em 1958. Muda-se para o Rio de Janeiro em 1960, e freqüenta os ateliês de pintura e gravura da Escola Nacional de Belas Artes. Na década de 60, a artista concentra-se na xilogravura, paralelamente à produção de objetos. As paisagens e cenas de interior, as grandes áreas brancas, demarcadas por figuras pretas de recorte suave, dão lugar à figuração colorida de cunho narrativo, com temas urbanos e/ou relacionados ao cotidiano e à condição da mulher.

Anna Maria torna-se uma das figuras-chave da exposição Nova Objetividade Brasileira, ocorrida no MAM do Rio de Janeiro, em 1967. Sua aproximação à cultura popular dá-se mediante o interesse pela gravura dos folhetos de cordel, combinando seu estilo gráfico a temas sociais e políticos atuais.

Muda-se para os Estados Unidos em 1968, e lá permanece por três anos. A artista volta-se para a poesia experimental, que rapidamente a leva ao desenho. Inicia uma produção importante de desenhos, que continua até os dias atuais. Sua tônica é a investigação da materialidade do papel e os limites de sua espacialidade. A figura sai de cena e dá lugar a novos elementos, como cortes, dobras, costuras com linha, palavras escritas, e incisões gravadas.

A folha é explorada em sua existência sensível no espaço, sendo por vezes trabalhada frente e verso. São dessa fase séries como “Mapas Mentais” (1971), e os desenhos-objeto “Buracos Negros” (1974), nos quais o plano pessoal e o político se amalgamam. A década de 1970 coloca Anna Maria diante do desafio de experimentar outras formas de expressão, e ela realiza filmes e instalações.

Sob a ditadura realiza o super-8 “In-Out Antropofagia” (1974) e as instalações “Feijão com Arroz” (1979), reedidata ano passado em Lisboa, e “Entrevidas” (1981). Na década seguinte a artista volta-se também à pintura. E de certa forma anuncia a preocupação com a gestualidade e a relação com a matéria, presente nos objetos escultóricos de parede e relevos (em argila, gesso e cimento) do início dos anos 1990.

Pouco a pouco, a artista concentra-se no aspecto manual do fazer artístico e passa a usar quase que exclusivamente a argila, por influência do artista argentino Victor Grippo. Em 1990 recebe o prêmio de melhor mostra do ano, da Associação Brasileira de Críticos de Arte (ABCA), pela exposição individual realizada em 1989, no Centro Cultural Cândido Mendes.

Elabora projetos com grande quantidade desse material, em que a repetição do gesto e seu registro na matéria assinalam enorme concentração de energia. Instalações como “Muitos” (1995) ou “São Estes” (1998) colocam o corpo no centro do trabalho de arte, ao mesmo tempo em que transformam o gesto desmemoriado do cotidiano em reservatório de experiência. Realiza em Nova York, em 2002, exposição retrospectiva acompanhada do livro A Life Line/Vida Afora

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quarta-feira, 11 de fevereiro de 2009

Atrás da Porta, tem a Porta sendo feita.

Agora, imagens!


Carla Zaccagnini

Maurício Ianês

André Komatsu

Até onde a vista alcança

Talvez chamem de fé
Ou talvez de esperança
Mas sigo, até onde a vista alcança
Talvez haja sins
E talvez ouça nãos
Mas eu quem decido o então
Talvez ninguém acredite
Talvez o mundo finja que esqueceu
Mas as cores quem enxerga sou eu
Pinto o céu de azul pela manhã
E, à noite, pinto de negro
Para pintá-lo de azul, novamente, amanhã bem cedo
Então é o que prefiro
Na face enxergo o riso
Aquilo que mais preciso
Alguns chamarão de fé
Outros dirão esperança
Sigo, até onde a vista alcança

Fábio Melo
Publicado no Recanto das Letras
em 07/03/2008
Código do texto: T890803

Treine a sua visão e verá que a sua vista alcança mais longe do que


Até onde a vista alcança?


A distância máxima a que uma pessoa consegue enxergar depende do tamanho do objeto a ser observado. Afinal de contas, enxergamos, por exemplo, o Sol, que está a cerca de 150 milhões de quilômetros da Terra. Já quando falamos de objetos pequenos, o alcance de nossa visão não passa de alguns metros. Nos testes de oftalmologistas, uma pessoa com visão normal deve ser capaz de ler uma palavra com letras de 7 mm2 a uma distância de 6 metros. Para enxergar essas mesmas letrinhas a cerca de 60 metros de distância, só se elas crescessem bem, para uns 7 cm2 de tamanho. "Esse é o padrão utilizado para a fabricação de placas de trânsito", afirma o oftalmologista Ricardo Uras, da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp). No reino animal, alguns bichos têm uma visão muito mais aguçada que a nossa, como as aves de rapina. Outros, porém, enxergam pior, como os cachorros.

CACHORRO - 60 metros
Um cachorro só enxergaria algo com a mesma nitidez que um humano se estivesse a cerca de um terço da distância para o objeto. Além da menor capacidade visual a longa distância, o melhor amigo do homem também enxerga menos cores que a gente

CORUJA - 80 metros
Essa é a distância em que a coruja enxerga o pequeno roedor no escuro! Nessa situação, nós, humanos, só veríamos o rato quando ele mordesse nosso nariz. Os olhos da coruja são equipados com lentes especiais que funcionam como um telescópio

FALCÃO - 1 500 metros
A visão dessa ave de rapina é tão afiada que ela consegue ver com nitidez o ratinho mesmo quando está voando a 160 km/h! Isso porque os olhos do falcão têm milhões de fotorreceptores, células sensíveis à luz, que elevam seu alcance visual

HOMEM - 180 metros
Embora não esteja nem entre os top 10 na lista de seres vivos com melhor visão, o homem é capaz de enxergar um amplo espectro de cores, o que é impossível para boa parte dos bichos

Até aonde a vista alcança? Pesquisas

"Anular a relação figura e fundo pela dissolução do espaço e por meio do tratamento subjetivado da cor diluída", fatores que provocam "um transbordamento do sujeito lírico na natureza".

Documentário: Até onde a vista alcança
"O curta mostra uma comunidade quilombola que, a partir de uma reunião dos membros da Associação Quilombola do Sambaquim e Riachão do Sambaquim feita em 2005, surgiu a idéia de organizar um bingo, com o objetivo de arrecadar recursos para alugar um ônibus e levar pessoas de diversas idades que – apesar de morar a apenas 150 km da costa – ainda não conheciam o mar.“Nesses meses entre o bingo e a realização da viagem, percebemos que se tratava de um filme sobre algo comum a todos nós, a realização de um sonho. E a linguagem que utilizaríamos no instante da concretização de um sonho tão nobre como aquele não poderia simplesmente registrar o real, precisava transmitir o sonho ao espectador. Foi daí que surgiu a idéia da fotografia preto e branco em película”, conta o diretor."

Um ponto de Vista.

1 Ponto de Vista Não te mostra nada +
1 ponto de Vista Não te mostra o Real

Ponto de Partida sem Previsão de Chegada
Em Construção
Todo Ponto de Vista é a vista de Um ponto.

Imaginar é aumentar o Real em 1 tom!

terça-feira, 10 de fevereiro de 2009

de volta ao vermelho.

E como é não enxergar as cores? Ela conta que uma professora do Ensino Médio falou que a iria ensinar a senti-las, e começou pelo vermelho. "Fez a classe toda dizer o que significava a cor, foram diversas respostas como paixão, cor quente, forte. Sei que o coração, o sangue são vermelhos, mas pra mim é só um tom de cor antes do preto"

ita o artista russo,Wassily Kandinsky que diz no livro Do Espiritual na Arte estuda as cores: "O vermelho, como o imaginamos, cor sem limites, essencial–mente quente, age interiormente como uma cor transbordante de vida ardente e agitada (...). Nesse ardor, transparece uma espécie de maturidade masculina, voltada sobretudo para si mesma e para a qual o exterior conta muito pouco”.

No mundo material causa um efeito irritante sobre as pessoas. No campo físico a cor vermelha traz energia mas isso fortalece os instintos destrutivos e de combate. É por isso que todos os seres de uma forma ou de outra têm acumulado em seu sistema luz vermelha na sua mais baixa manifestação, são extremamente ativos e ásperos.

Importante

Evite o uso do azul e do vermelho, simultaneamente, pois eles têm diferentes profundidades de foco e esse processo é fatigante para o olho humano e também cria ilusões de ótica.

segunda-feira, 9 de fevereiro de 2009

99 Red Balloons (tradução)

Blondie
Composição: Indisponível
Você e eu em uma lojinha de brinquedos
Compramos um pacote de balões com o dinheiro que tinhamos
Soltamos eles no cair da noite
Até que um por um se foram
De volta à base, bugs no software
Pisca a mensagem "
Algo lá fora"Voando num céu de verão99 balões vermelhos
99 balões vermelhos voando num céu de verão
Alarmes de pânico, é alerta vermelho
Há algo aqui algum outro lugar
A máquina de guerra acorda
Abre seu olhoE o olha para o céu
Enquanto 99 balões vermelhos passam
Na Rua das Decisões 99, 99 ministros se reunem
Para se preucupar, preocupar
Chamar as tropas e rápido
Isso é o que havíamos esperado
É isso meninos, é Guerra
O Presidente está ao telefone
Enquanto 99 balões vermelhos passam
99 Ministros de Guerra
Fósforos e galões de combustível
Se achavam pessoas espertas
Querendo uma gorda recompensa
Gritavam: GUERRA e queriam poder
Cara, quem imaginariaQue chegaria a esse ponto
Por causa de 99 balões vermelhos9
9 sonhos eu tive
Em cada um deles um balão vermelho
Está tudo acabado e estou parado bonitinho
Na poeira que foi uma cidade
Se eu conseguisse achar um souvenier
Apenas pra provar que o mundo esteve aqui
E lá está, um balão vermelho
Penso em você e solto ele

vermelho, baloes, vermelho.








Pop,Pop, Pop

Pipoca:
Do tupi pi'poka, estalando a pele.
O milho, que entre outras coisas permite a pipoca, de quem Debret, o pintor que veio fundar nossa primeira Escola de Belas Artes, disse que era a maior contribuição do brasileiro à cozinha mundial. (Sua receita, copiada dos selvagens: jogar o milho verde com sal no borralho e depois soprar as cinzas).


Quem é esse tal Obaluaê?

Obaluaê, ou Omulu, significa "Rei da Terra". Conhece os segredos da vida e da morte. É o orixá protetor dos doentes — tem o poder de afastar doenças. Cobre-se com um manto de palha da cabeça aos pés. Dizem que tirar sua máscara é que nem descobrir o segredo da morte. Carrega uma miniatura dele mesmo, o xarará. Suas cores são o vermelho, o preto e o branco. Seu símbolo é o sol. Seu dia é Segunda-feira. Quem quiser saudá-lo deve dizer: Atotô!

sexta-feira, 6 de fevereiro de 2009

Proposta do Grupo de I.U. para uma nova ação - vide mais tarde

O olho de hórus é um amuleto de uma imagem-signo egípcia. Como se acreditava em deuses, ele era muito usado para proteção.
Os olhos que nos "protegem" hoje em dia são olhos mecânicos, porém, com alta qualidade tecnológica, são câmeras de vigilância e monitoramento, 24h ligadas no nosso ir e vir. Você pode estar sendo filmado em muitos locais, e essa sensação voyerística é um dispositivo tanto de poder quanto de prazer.
Acreditamos nesses novos "deuses" corporificados em olhos que nos protegem ou vigiam? Nos controlam ou nos asseguram?
A sociedade das imagens abre os olhos para organizar (me refiro à ORDEM) a boiada. Será que isso já não se tornou uma adoração cega? Qual a fronteira da nossa intimidade? Ou será que os sujeitos hoje, em pleno século XXI, constroem-se na VISIBILIDADE e através do voyerismo alheio? Qual espaço ainda é público?
Estamos todos cercados pelos braços e olhos do Estado, nossos olhos estão bem abertos, estão vidrados nas propagandas e nas informações que chegam em fluxo de banda larga.
Olho vivo, galera!
Produzimos redes, damos liga a essa massa embolotada que cresce como um fenömeno chamado de REAL.
Vamos fazer um despacho! Ode à vida de gado! Proteção? Monitoramento? Vigilância? Paranóia? Voyerismo? Controle? Repressão?
Cada vez mais individuais, nossa solidão se esvai com nossas próprias ações, registradas na retina das vigílias. Estamos dentro de um transporte lotado, encurralados por nossos desejos e medos, desde a solidão até o bandido. ( quem é realmente esse bandido?)
Olho vivo!

quinta-feira, 5 de fevereiro de 2009

quarta-feira, 4 de fevereiro de 2009

por Errico Malatesta (1853-1932).

Extraído do livro Socialismo e Anarquia


Pode parecer estranho que as questões relativas ao amor e todas aquelas a ele relacionadas preocupem mais a um grande número de homens e mulheres do que os problemas mais urgentes, senão mais importantes, e que deveriam chamar a atenção e concentrar esforços dos que buscam o modo de superar males que afligem a humanidade.

Encontramos diariamente pessoas submetidas ao comando das instituições atuais; pessoas obrigadas a alimentar-se mal e ameaçadas a qualquer momento de cair na mais profunda miséria pela falta de trabalho ou em decorrência de enfermidades; pessoas que se vêem impossibilitadas de criar convenientemente os filhos, que morrem freqüentemente por falta de cuidados necessários; pessoas condenadas a passar a vida sem ser um só dia donas de si mesmas, sempre a mercê dos patrões ou da polícia; pessoas para as quais o direito de ter uma família e o direito de amar é uma ironia sangrenta e que, contudo, não aceitam os meios que lhes propomos para libertar-se da escravidão política e econômica se antes não soubermos explicar-lhes de que maneira, numa sociedade libertária, a necessidade de amar encontrará sua satisfação e de que modo compreendemos a organização da família. E, naturalmente, esta preocupação se amplia e gera descuido e desprezo dos outros problemas nas pessoas que tenham resolvido, particularmente, o problema da fome e que se encontram em condições de poder satisfazer as necessidades mais imperiosas porque vivem num ambiente de relativo bem-estar.

Isto explica o imenso lugar que ocupa o amor na vida moral e material do homem, pois é no lar e na família que o homem passa a maior e a melhor parte de sua vida. Explica-se também por uma tendência em direção ao ideal que arrebata o espírito humano no momento em que este se abre para a conscientização.

Entretanto, o homem sofre sem dar-se conta dos sofrimentos, sem buscar remédios e sem rebelar-se; vive semelhante aos incapazes, aceitando a vida como ela se apresenta.

Mas, desde o instante em que começa a pensar e a compreender que seus males não se devem a insuperáveis fatalidades naturais, senão a causas humanas que os homens podem destruir, experimenta imediatamente uma necessidade de perfeição e deseja, idealmente ao menos, gozar de uma sociedade em que reine absoluta harmonia e em que a dor desapareça por completo e para sempre.

Esta tendência é muito útil, pois impulsiona a vida para frente, mas também se faz nociva quando, sob o pretexto de que é impossível alcançar a perfeição e suprimir todos os perigos e defeitos, nos aconselha a descuidar das realizações possíveis para continuar na mesma situação.

***

Não temos nenhuma solução para os males do amor, pois eles não podem ser destruídos com reformas sociais, nem tampouco com uma mudança de costumes. Estão determinados por sentimentos profundos, poderíamos dizer fisiológicos do homem e que não são modificáveis. Quando o são isto se deve a uma lenta evolução e são imprevisíveis.

Queremos a liberdade; queremos que homens e mulheres possam amar-se e unir-se livremente sem outro motivo que o amor, sem nenhuma violência legal, econômica ou física.

Mas a liberdade, mesmo sendo a única solução que podemos e devemos oferecer, não resolve radicalmente o problema, pois o amor, para satisfazer-se, tem necessidade de duas liberdades que concordam e que freqüentemente discordam; e deve-se levar em conta que a liberdade de fazer o que se quer é uma frase desprovida de sentido quando não se sabe o que querer.

É muito fácil dizer: “quando um homem e uma mulher se amam, juntam-se, e quando deixam de se amar, separam-se”. Entretanto, para que este princípio se converta em regra geral e segura de felicidade é necessário que ambos amem e deixem de se amar ao mesmo tempo. E se um ama mas não é correspondido? E se um continua amando e o outro não o ama mais e trata de satisfazer uma nova paixão? E se um ama ao mesmo tempo várias pessoas que não podem adaptar-se a esta promiscuidade?

“Sou feio”, dizia-nos certa vez um amigo. “Que farei se ninguém deseja me amar?” A pergunta nos leva ao riso mas nos deixa entrever verdadeiras tragédias.

Ainda preocupados com o mesmo problema, dizemos: “atualmente, se não encontro o amor, compro-o, ainda que tenha que economizar na alimentação. O que farei quando não houver mulheres que se vendam?” A pergunta é horrível, pois mostra o desejo de que seres humanos sejam obrigados pela fome a prostituir-se; mas é também terrível... e, terrivelmente, humano.

Algumas pessoas dizem que a solução poderia encontrar-se na abolição radical da família; na abolição da parceria sexual mais ou menos estável, reduzindo o amor somente ao ato físico ou, melhor dizendo, transformando-o, com a união sexual por acréscimo, num sentimento parecido à amizade, que reconheça a multiplicidade, a variedade, a contemporaneidade dos afetos.

E os filhos? Filhos de todos.

Pode ser abolida a família? Isto deve ser desejado?

Observemos antes de mais nada que apesar do regime de opressão e mentira que prevaleceu e prevalece ainda na família, esta tem sido e continua sendo o maior fator do desenvolvimento humano, pois é nela que o homem comum se sacrifica pelo homem e cumpre o bem pelo bem, sem desejar outra compensação que o amor da companheira e dos filhos.

Uma vez eliminadas as questões de interesses, todos os homens serão irmãos e se amarão mutuamente?

Certamente não se odiarão; o que podemos afirmar é que o sentimento de simpatia e de solidariedade se desenvolveria muito e que o interesse geral dos homens se converteria num fator importante na determinação da conduta de cada um.

Mas isto ainda não é o amor. Amar a todos se parece muito com não amar a ninguém.

Podemos talvez socorrer, mas certamente não podemos chorar por todas as desgraças porque nossa vida deslizaria para um vale de lágrimas, porém o pranto da simpatia é o consolo mais doce para um coração que sofre. A estatística das mortes e dos nascimentos pode nos oferecer dados interessantes para se conhecer as necessidades da sociedade; mas não dizem nada aos nossos corações. É materialmente impossível entristecermo-nos com cada homem que morre e regozijarmo-nos a cada nascimento.

E se não amamos uma pessoa mais vivamente que as outras; se não tivermos um só ser pelo qual não estejamos particularmente dispostos a sacrificarmo-nos; se não conhecemos outro amor que este amor moderado, vago, quase teórico, que podemos sentir por todos, não resultaria a vida menos rica, menos fecunda, menos bela? Não se veria diminuída a natureza humana em seus mais belos impulsos? Por acaso não nos veríamos privados dos gozos mais profundos? Não seríamos mais infelizes?

O amor é o que é. Quando se ama fortemente se sente a necessidade do contato, da possessão exclusiva do ser amado.

Os ciúmes, no melhor sentido da palavra, parecem formar e formam geralmente uma só coisa com o amor. Isto pode ser lamentável, mas não pode ser alterado arbitrariamente, nem tampouco segundo a vontade de quem o sofre.

Para nós o amor é uma paixão que engendra tragédias por si mesma. Estas tragédias, certamente, não se traduziriam mais em atos violentos e brutais se o homem tivesse o sentimento de respeito à liberdade alheia, se tivesse bastante controle de si para compreender que não se soluciona um mal com outro maior, e se a opinião pública não fosse, como hoje em dia, tão indulgente com os crimes passionais; mesmo assim as tragédias não deixariam de ser menos dolorosas.

Enquanto os homens tiverem os sentimentos que possuem ¾ e uma troca no regime econômico e político da sociedade não nos parece suficiente para modificá-los por inteiro ¾ o amor produzirá ao mesmo tempo grandes alegrias e grandes tristezas. Poder-se-á diminuí-los ou atenuá-los com a supressão de todas as causas que podem ser eliminadas, mas sua destruição completa é impossível.

Esta é uma das razões para não se aceitar nossas idéias e querer permanecer no estado atual? Responder afirmativamente seria fazer como aquele sujeito que não podendo comprar roupas luxuosas prefere ir nu, ou como aquele que não podendo comer perdizes todos os dias renuncia ao pão, ou ainda como o médico que dada a impotência da ciência atual ante certas enfermidades, nega-se a curar as que são passíveis de cura.

Eliminemos a exploração do homem pelo homem, combatamos a pretensão brutal do macho que se crê dono da fêmea; combatamos os preconceitos religiosos, sociais e sexuais; asseguremos a todos, homens, mulheres e crianças o bem-estar e a liberdade; propaguemos a instrução; e então poderemos regozijarmo-nos, com razão, se não permanecerem mais do que males de amor.

Em todo caso, os desafortunados no amor poderão procurar outros gozos, pois não acontecerá como hoje em dia que o amor e o álcool constituem os únicos consolos para a maior parte da humanidade.

Tradução de Edson Passetti

terça-feira, 3 de fevereiro de 2009

Конфликт

Animação Russa sobre a Revolução

segunda-feira, 2 de fevereiro de 2009

Voltamos ao Mar

A partir de alguns registros de vídeo e fotos do meu pai,que é mergulhador profissional, fiz um video sobre esse encontro no mar.

No mar profundo,
Poucos homens chegam
Vida intensa,
Encontro ao acaso,
bichão imenso,
Voltamos ao mar.

Viemos do Mar, Voltamos ao Mar de 15 em 15 dias



foto1: Acervo do mergulhador Erich Schwarz
foto2: Obra da série Viemos do Mar de Farnese de Andrade

O nome é próprio, mas o sujeito transborda.

na espera....
maio de 2009.
Depois dessa data, disponibilizo o artigo.

domingo, 1 de fevereiro de 2009

As aventuras de Hélio - o cão flutuante confere as intervenções nos postes em Niterói.





















































Fotos: Marina Kezen
Durante o Evento de intervenção urbana
organizado pela Galeria do Poste
em Niterói, 2009.


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